Happy home. 2pac. Leovillaforte.

20 20UTC agosto 20UTC 2009 by

Sorriso, quando tudo era dúvida, sorrisos.
Ela era só sorrisos quando eu levantava pra tomar o café da manhã e não conseguia escapar de um beijo que trazia em si a promessa de que eu passaria mais um dia bem, e o que era promessa de manhã, era a sensação da tarde e a certeza da noite.
Fica bem, faltando não há de deixar de encontrar. É só lembrar. Esquecer nunca pude porque cada dia em que me sinto bem é como se um beijo dela fosse trazido de volta.
E como eu era um cara meio sem jeito! Desviava, esquivava, acordava mais tarde e chegava a fazer cara de poucos amigos como se questionasse porque todo dia tinha que ser feliz. A monotonia do bom ainda é monótona.
Quem já se achou grande e quando cresceu viu que era pequeno?
Enfim, um desses caras que às vezes vai contra a felicidade. Mas no final das contas, a alegria é um legado que se passa pelo costume.
Quando deixava de ser feliz, era por adolescência. Depois a gente só quer sair e beijar uma criança.

Knock me Down [música]

30 30UTC abril 30UTC 2009 by

[A emoção que gosto que essa música traga, se é que ela traz, me evoca certos momentos:]

Eu vejo um dia ensolarado e quente, nas horas de véspera de sair com alguns amigos, um entardecer infernal, quente, costas molhadas, nas línguas secas o desejo auto-afirmativo do macho que diz “porra, vamos tomar uma cerveja”; e então atravessamos os pátios da nossa prisão, cruzamos as ruas, explodindo de alegria pela nossa alforria temporária, de calça jeans e suando, passando por velhas lavando sua calçada e cachorros de borracharias; o Sol em queda rápida, emoldurado pelas nuvens que racha e pela muralha opaca e homogênea de uma imponente cadeia de montanhas posta às sombras, se despede num céu de multitonalidades em rápida mudança, com a luz rasgando o ar em horizontal e refletindo no grande rio que corta o vale, como se um milhar de diamantes estivesse em movimento, imaginamos, mesmo que nunca tenhamos visto um sequer. Nossa trupe medieval dos infernos oferece, andando na ponte sobre o rio – a ponte da esperança e da euforia -, frente a muralha negra que anuncia a escuridão, encarando o céu vermelho e azul e roxo e a luz restante com olhos cerrados, uma cena perfeita, rumando para as desaventuras da Cidade.

E sempre sentia essa imensa alegria aumentar ao andar a esmo pela cidade enfim conquistada, acompanhado de amigos e uma garrafa qualquer, nesse entardecer de dias difíceis: as Horas de Lazer contrastam violentamente com os Dias de Trabalho (pelos quais, ainda assim, agradecemos e rezamos), horas de liberdade, de prazer, de libertinagem que, nesse mundo em que vivemos, são as importantes – solitárias, ilhas no mar da semana, mar de disciplina – não, não é um mar, são mais os corredores infinitos com portas sempre fechadas de um prédio comercial, onde só encontramos escadarias pra saída.

Estou em Resende, cidade mal e bem dita (o pessimismo demonstrado nas mil reclamações que fazemos só serve pra rir – cidade de mentes pequenas e coração grande, tão piegas quanto essa frase, onde cavamos com nossas mãos a diversão possível e impossível), ao lado dos amigos, mas também de conhecidos e/ou quaseamigos e/ou semiamigos e/ou amigos não-habituais, entre eles Alba, grande gaúcho, jeito de italiano, ou um franco-canadense como Kerouac, charmoso com seu humor sutil de risadas bobas,  sempre misterioso (desconfiamos confortavelmente dele o tempo todo), com seu meio sorriso totalmente carismático eternizado numa das poucas ou única(s) fotos que tenho dele (numa pose analoga aquelas acrobaticamente tortas do meu grande amigo Zilo quando bêbado), já meio chapado, sorriso de tristeza sobre o passado, de pesar sobre o futuro e de uma força no presente que só nos tornando alcoólatras de final de semana podemos fazer jus em termos de felicidade – o quanto me arrependo de talvez tê-lo magoado ao me insinuar para sua bela mãe – mas de qualquer forma, se é que existem compensações no mundo, ele ficou com minha ex, e fez o que não fiz namorando ela por três meses – sim, três meses, nem eu entendo. Um parceiro perfeito para errar ruas e litros adentro, entre risos e penumbras.

O pôr-do-sol é rápido, já acabou, quando menos percebemos. E quando o Sol se for, se pôr, após beber e bebendo ainda, acompanhamos a Vida e seremos a Noite.

Melody. Blonde Redhead.

30 30UTC março 30UTC 2009 by

Caixa bem rústica boiando na marola quase tropical de uma solidão européia.

Você tem reservas e mostra isso pra mim e com a voz infectada de desesperança pede que eu faça algo. Você gosta de falar assim baixinho como se estivesse pedindo ajuda. É uma coisa assim, sua. Só que depois sacode um chocalho pra dizer que vislumbra algo mais animado, imaginando como poderia dançar se estivesse em outro lugar, mas o que fica patente é que faz charme.

Todos gostam de um charme, alguns dos que charmeiam e dizem não fazer e outros dos que admitem que estão a charmear. A diferença é essa.

Você fica em silêncio porque sabe que faz charme e quando eu digo isso você sente até vontade de ir embora.

Porque esse não é seu charme. Você não é do tipo que sai, você é aquele que se enverga sobre si mesmo com o corpo ainda ereto e todos ao redor sentem que uma lança lhe atingiu, apesar de continuar fazendo número.

A melodia não é da retirada, é da permanência afetada.

A sua.

É como eu comecei e é assim que começa em você, as batidas crescendo retas sem enganação e você sentindo que está vivo, porém – lembre-se – a elegância sempre cai bem.


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.