Caixa bem rústica boiando na marola quase tropical de uma solidão européia.
Você tem reservas e mostra isso pra mim e com a voz infectada de desesperança pede que eu faça algo. Você gosta de falar assim baixinho como se estivesse pedindo ajuda. É uma coisa assim, sua. Só que depois sacode um chocalho pra dizer que vislumbra algo mais animado, imaginando como poderia dançar se estivesse em outro lugar, mas o que fica patente é que faz charme.
Todos gostam de um charme, alguns dos que charmeiam e dizem não fazer e outros dos que admitem que estão a charmear. A diferença é essa.
Você fica em silêncio porque sabe que faz charme e quando eu digo isso você sente até vontade de ir embora.
Porque esse não é seu charme. Você não é do tipo que sai, você é aquele que se enverga sobre si mesmo com o corpo ainda ereto e todos ao redor sentem que uma lança lhe atingiu, apesar de continuar fazendo número.
A melodia não é da retirada, é da permanência afetada.
A sua.
É como eu comecei e é assim que começa em você, as batidas crescendo retas sem enganação e você sentindo que está vivo, porém – lembre-se – a elegância sempre cai bem.